Bem-vindos a um fórum que se pretende de discussão livre sobre todos os temas que acharem pertinentes, mas que se pretende direccionado para as questões da liderança.

Tuesday, May 5, 2009

A Gripe J

Enquanto se aguardam pelos resultados das análises a uma mulher de 30 anos suspeita de ter contraído a mal-afamada Gripe A, Portugal vai-se debatendo, há muito, com a Gripe J…de Justiça!

Pandemia, epidemia, ou mania, o que é um facto é que o alerta – permanente – foi lançado e nem assim se tem conseguido impedir que o vírus se desaloje da nossa sociedade.

E como é que ele se manifesta? Parece simples, do seu núcleo central, onde constam os agentes da justiça, os verdadeiros e supostamente únicos intérpretes e intervenientes desta patologia, saem um sem número de ramificações que infectam (ou afectam) jornalistas, colunistas, cronistas, gestores, empresários, políticos e todas as pessoas em geral por retro-infecção, ou seja, são contagiadas por influência, ou Influenza, como o verdadeiro vírus da gripe.

A verdade, porque é disso que se trata – numa altura em que um partido do nosso espectro político utiliza esse mesmo expediente para se (re)afirmar – pelos vistos anda transvestida de duvidosos critérios jornalísticos que nem um julgamento público conseguem relatar. A verdade, pelos vistos, anda no moralismo dos que assistem e não no pragmatismo dos que intervêm. A verdade, pelos vistos, reside no anonimato de blogs e chats e não nos bancos dos tribunais. Até a ingenuidade já virou crime na impunidade daqueles que agem sem contraditório.

É lamentável o Estado que somos e o estado a que chegámos. A mediatização da justiça, entendida por alguns como forma de a credibilizar – como quem aproveita as massas para vender pasta de dentes – utilizou caminhos ínvios para chegar a nada. Depois da mediatização da dita, restava mediatizar os (in)justiçados e os (pseudo)justiceiros. A que chegámos? Novamente a nada. O que é que conta? Contam os anátemas que são lançados sobre quem diz a verdade, quem assume o que faz (porque faz) e quem dá a cara – despeitadamente – pelos actos que pratica. E o que se conclui? Quando são condenados, têm o que merecem, dita a vox populi, a mesma voz que, em caso de absolvição, lá vem dizer invariavelmente, “mais um que se safou”.

Pergunto eu (e ainda tenho a esperança que mais alguém pergunte), quem diz a verdade e, com isso, é absolvido de qualquer crime de que esteja acusado, safa-se?! Onde é que está a moralidade? E a ética? Jaz, certamente, mais uma vez, na impunidade daqueles que agem sem contraditório.

O Homem é um Ser de hábitos, rotinas e vícios. Até Adão foi tentado pela maçã, é um facto e, por isso mesmo, os antecedentes podem não ser os mais gloriosos. Mas continuam a haver pessoas sérias, que não se deixam tentar e cujas práticas, ainda que rotineiras e viciantes, não deixam de ser tendentes à prática do bem, na iminência de contribuir para a transformação desta espécie de “novela mexicana”, numa sociedade mais justa e perfeita.

Eu acredito no Homem, acredito em mim e acredito nos outros. Sem mácula, sem mágoa. Creio e pratico a presunção da inocência. Todas as pessoas são boas até prova em contrário. Não vivo amargurado, apenas vivo comigo próprio no caminho iluminado pela luz que irradia dos olhos dos meus filhos.

Quem diz a verdade…merece castigo?

in Jornal de Oeiras, 05 mai./09

Monday, April 20, 2009

Conseguir feitos extraordinários em Organizações


Motivo de grande regozijo para todos aqueles que os compõem e para os Municípios que os suportam, veio a público, recentemente – e por via insuspeita reflectida no Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses / 2007 http://www.ctoc.pt/fotos/editor2/Anuario%202007%20final.pdf – que os SMAS de Oeiras e Amadora são a empresa/serviço municipalizado com maior resultado económico, acima do 15 milhões de euros, deixando o segundo classificado a 11 milhões de euros de distância (SMAS de Loures)!
Qual é o segredo deste sucesso? De entre outros, baseio-me no Desafio da Liderança para concluir que os líderes mobilizam as pessoas de forma a que queiram e xecutar feitos extraordinários nas suas organizações. Os líderes usam as estratégias adequadas para transformar valores em acções, visões em realidades, obstáculos em inovações, separatismo em solidariedade e riscos em recompensas. Os líderes criam o ambiente propício para que qualquer um transforme uma oportunidade difícil num sucesso estrondoso.

Revelado o segredo, como atingir o sucesso? Dá trabalho, mas aconselho – e acreditem que sei do que estou a falar – uma implementação estratégica com base nos seguintes princípios: orientar e apoiar as nossas equipas em tempos incertos; empregar melhor os talentos dos nossos colaboradores; ser um exemplo positivo em relação ao valor da ética e da honestidade no dia-a-dia; encontrar um melhor equilíbrio na nossa vida, todos os dias; pôr o nosso conhecimento em produtos e serviços, criando um valor extraordinário para o cliente; introduzir a sabedoria de diferentes gerações no local de trabalho e no serviço público que prestamos; usar as ferramentas de tecnologia que permitam uma rede de ligação humana; ajudar na riqueza do conhecimento científico para a sustentabilidade dos sistemas e para a preservação dos recursos hídricos; reconstruir um sentido de comunidade e aumentar as sinergias entre os dois Concelhos; transformar a informação em conhecimento e melhorar a prestação do serviço, atendendo às necessidades cada vez mais imperiosas de práticas de Responsabilização Social; formar e informar numa óptica de Responsabilidade Ambiental; restaurar a esperança e criar uma sensação de um futuro sempre e cada vez mais harmonioso.

E porquê? Porque o domínio dos líderes é o futuro. O legado único do líder é a criação de instituições reconhecidas que perduram no tempo. O contributo mais significativo que os líderes podem dar, não se resume ao dia de hoje; tem de levar ao desenvolvimento a longo prazo de pessoas e instituições para que se possa adaptar, mudar, prosperar e crescer.

Afinal de contas, apercebemo-nos de que o desenvolvimento da liderança é auto-desenvolvimento. Completar o Desafio da Liderança é um desafio pessoal e diário para todos nós.

É só uma tarefa por dia, de uma tradicional semana de trabalho. São estas as cinco tarefas que podem mudar, para sempre, a evolução da sua empresa. São estes os princípios que estão na base do sucesso. É esta a estratégia que faz conseguir feitos extraordinários para a sua organização: Mostrar o Caminho; Inspirar uma Visão Conjunta; Desafiar o(s) Processo(s); Permitir que os Outros Ajam; Encorajar a Vontade.

NOTA: Obrigado, Dr.ª Teresa Gonçalves…

in Jornal de Oeiras, 21 abr./09

Thursday, April 9, 2009

Meter foice em seara alheia

A Associação Nacional de Farmácias (ANF) decidiu que as farmácias dariam aos doentes a possibilidade de escolherem, dentro da mesma substância activa, dose e forma farmacêutica prescrita pelo médico, o medicamento mais barato, mantendo a comparticipação.

Isto pareceria interessante, não fosse a lei muito clara a este respeito, quando define que a substituição de genéricos apenas é possível mediante a autorização do prescritor e com a concordância do utente.

Ora, talvez o cumprimento da lei pudesse resolver estes equívocos, pois é a mesma portaria que estipula as condições em que é permitido ao farmacêutico a substituição de um medicamento genérico, que define também a obrigatoriedade da prescrição médica ser efectuada por princípio activo, ou Denominação Comum Internacional (DCI), um pressuposto que não está presentemente instituído entre a classe médica portuguesa.

De equívoco em equívoco, temos a ANF a substituir-se à Ordem dos Farmacêuticos (OF), assumindo que “os farmacêuticos, enquanto especialistas do medicamento, conscientes das suas responsabilidades, não querem assistir à degradação da qualidade dos serviços prestados às populações. Nesse sentido, dão aos utentes a liberdade de optarem por um medicamento genérico, dentro do mesmo princípio activo, informando-os sobre as diferenças de preços.”

Mas não é isto que se extrai da leitura dos seus estatutos, onde se estipula a obrigatoriedade de “dispensar ao doente o medicamento em cumprimento da prescrição médica ou exercer a escolha que os seus conhecimentos permitem e que melhor satisfaça as relações beneficio/risco e beneficio/custo”, e cujo incumprimento é considerado infracção disciplinar.

O último dos equívocos acaba por ser algo que passará, certamente, despercebido à maior parte das pessoas. É que esta magnânima campanha da ANF termina dizendo o que deve, mas por quem não pode, “aconselhe-se com o seu farmacêutico”.

Perante o que a seguir se transcreve do site da ANF, os equívocos só podem ser considerados deliberados, senão, vejamos: “Um estudo qualitativo sobre a responsabilidade social no sector das farmácias, realizado por investigadores do ISCTE, em 2007, por solicitação da OF, concluiu que a actividade das farmácias portuguesas está orientada para a promoção da saúde e não tanto para a mera dispensa de medicamentos.”

Por menos que isto, os SMAS de Oeiras e Amadora foram alvo de um processo instaurado pela Associação Portuguesa dos Industriais de Águas Minerais Naturais e de Nascente (APIAM) junto do Instituto Civil da Autodisciplina da Publicidade (ICAP), que classificou uma campanha de apelo ao consumo da água da torneira como uma acção enganosa, por estar em causa uma comparação (!) que desrespeita o principio da veracidade (!).

Ainda que a terminologia possa não ser a mais adequada, a atitude da ANF pode prefigurar-se, neste caso, como uma prática de abuso de poder, ou, valendo-me dos conhecimentos que uma acérrima troca de argumentos com o IPAC me proporcionou, eu diria que a publicidade não deve abusar da confiança nem explorar a falta de experiência ou de conhecimentos do destinatário e deve proscrever qualquer referência, directa ou indirecta, que possa denegrir qualquer pessoa, actividade, profissão, ou serviço, ridicularizando-os ou desrespeitando-os.

Há Farmácias e há Farmacêuticos…descubra as diferenças! Por alguma razão, desde 2007 todas as pessoas singulares e sociedades comerciais podem aceder à propriedade de farmácias. E, depois, os farmacêuticos é que são comerciantes?

in Jornal de Oeiras, 7 abr./09

Monday, March 23, 2009

Somos Todos Água




Decepcionante a noticia que nos chega de Istambul, onde mais de 25.000 pessoas se reuniram em torno do V Fórum Mundial da Água, durante uma semana.


O Fórum terminou com um pedido de mais de 100 países a favor da luta por água limpa e saneamento para bilhões de pessoas, mas sem acordo quanto à noção de “direito ao acesso à água”.

Considerando estarmos perante a maior conferência da história sobre a crise da água, isto diz muito, mais uma vez, sobre a falta de coragem e, sobretudo, de sensibilidade das lideranças mundiais. Ainda sofrendo com as agruras das incompreensíveis e arrastadas negociações de Quioto e pós-Quioto, o mundo viu, mais uma vez, aqueles que o deviam encaminhar para a sustentabilidade, antes encaminhá-lo para o abismo.

Quando 1 bilião de pessoas sobre(vivem) com uma escassez quase absoluta em relação a este precioso liquido, não há discurso político, ou crise económica, que justifique uma tão incompreensível decisão.

O documento final estabelece uma série de recomendações, não obrigatórias, incluindo uma cooperação maior para acabar com as disputas sobre a água, medidas para evitar inundações e a escassez de água, uma administração melhor dos recursos e impedir a poluição de rios, lagos e lençóis freáticos. Mas, repito, não obrigatórias…

Alguns países tentaram incluir na declaração o reconhecimento ao acesso à água potável e ao saneamento como um "direito humano básico", ao invés de uma "necessidade humana básica", como está escrito no texto final.

A mudança foi bloqueada por representantes do Brasil, Egipto e Estados Unidos. Como compreender (ou talvez não…) esta atitude tomada pelos dois países onde se encontram os dois maiores rios do mundo (Amazonas, com 7.050.000 quilómetros quadrados de água e Nilo, com 3.400.000) e pelos Estados Unidos, que tanto apregoou uma mudança de rumo e assumiu, nesta nova administração, o Ambiente como uma das missões estratégicas da sua governação.

Felizmente que vinte países dissidentes assinaram uma declaração em separado para manifestar sua posição e muitos países, sobretudo da América Latina, já incluíram o acesso à água como um direito constitucional. Significa que nem tudo pode estar perdido e, se me é permitido, lanço um repto ao governo português para fazer o mesmo.

Localmente, bem andam os Municípios de Oeiras e Amadora que, conjuntamente e suportando-se nos respectivos Serviços Municipalizados, comemoraram, ontem, dia 22 de Março, da forma mais digna de que (para mim, pelo menos) há memória, o Dia Mundial da Água.

Foi uma tarde fantástica, passada no Parque dos Poetas, com inúmeras actividades ligadas às boas práticas na utilização da água, ao seu uso racional e ao apelo do consumo da água da torneira.

Por lá pudemos ver largas centenas de famílias, com especial destaque para os mais novos, que conviveram com o Panda, com o Gui Gotas e a Gotas Maria, mascotes do Clube da Água (marca SMAS para o Programa de Educação Ambiental) e participaram activamente no lançamento do roadshow que irá percorrer as escolas dos dois concelhos até ao dia 22 de Maio. É um espaço didáctico e pedagógico de formação e informação, que cumpre uma função primordial neste organismo público, a sua Responsabilidade Ambiental.

Tudo acabou em grande, com um magnífico concerto da cantora Ana Free, que passa a ser uma verdadeira Embaixadora da Água para os SMAS de Oeiras e Amadora.

Ainda que o V Fórum Mundial da Água não nos tenha trazido boas notícias, lá pensou-se globalmente, pelos vistos mal e cá agiu-se localmente, certamente bem.

in Jornal de Oeiras, 24 mar./09

Tuesday, March 10, 2009

Talento

Todos os dias nos chegam histórias sobre talento.

A última que me chamou a atenção conta a história de Manuel Lima, nomeado uma das 50 personalidades mais influentes e criativas do mundo para 2009, ao lado de talentos como Sergey Brin e Larry Page, co-fundadores do Google, David Fincher, realizador de “Quem quer ser Bilionário”, ou Mark Zuckerberg, criador da rede social Facebook.

Manuel Lima é designer de interacção, deixou São Miguel, nos Açores, aos 18 anos e, actualmente, reside em Londres. Nos últimos três anos, este português dispôs-se a descobrir o que havia de semelhante entre redes tão diferentes como as sociais, as genéticas, as políticas, as empresariais e até as de transportes. Foi assim que criou e desenvolveu o site VisualComplexity.com que, com mais de 600 projectos de redes complexas, da biologia à Internet, se tornou num mapa interactivo de vários mapas desenvolvidos por diferentes indivíduos e instituições do mundo inteiro.


Mais próximo de nós, soube-se na quinta-feira passada que Oeiras foi considerado o melhor Concelho para trabalhar, numa iniciativa levada a cabo pela Great Place to Work Institute Portugal. Não é despiciendo o facto de 12 das 30 melhores empresas para se trabalhar estarem sedeadas em Oeiras, de entre as quais está a vencedora Microsoft. Se existisse um indicador que o medisse, estou certo que a maior concentração de talento também se reuniria aqui no nosso burgo…Instituto Gulbenkian de Ciência, Instituto de Tecnologia Química e Biológica, Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica, Estação Agronómica Nacional, Instituto de Investigação Cientifica Tropical – Centro de Investigação de Ferrugem do Café, Quinta da Fonte, Lagoas Park, Taguspark, Arquiparque, Edimpresa, Netjets, Thales, Portugal Telecom, Millenium BCP, Instituto Superior Técnico, Faculdade de Motricidade Humana, Universidade Atlântica, Escola Náutica Infante D. Henrique, Instituto de Tecnologias Náuticas, etc…

Pena que a Great Place to Work não tenha alargado esta iniciativa ao sector público. Esperar-nos-iam agradáveis surpresas.

Num ambiente organizacional crescentemente globalizado, é cada vez mais difícil ganhar uma vantagem clara no mundo dos negócios, mas não é impossível. O talento, potencialmente a mais poderosa fonte de vantagem competitiva, está ao alcance de todos, assim possa ser detectado e preservado.


O talento fornece-nos o road map que melhor pode conduzir as organizações a caminho do sucesso, mantendo o focus no melhor que a estrutura tem para oferecer, numa óptica de melhoria continua. Para tal, há que ter em especial atenção, a Liderança, a Estrutura Corporativa, a Gestão do Talento, a Gestão da Performance, a Informação e o processo de Tomada de Decisões.


E onde é que encontramos o talento? Nas pessoas, logo, chegou a altura de transformar as pessoas na nossa principal vantagem competitiva.


É o talento que nos faz destacar dos demais, mesmo em ambientes competitivos.

São as pessoas que fazem das suas organizações bons locais para trabalhar.


São pessoas talentosas que fazem dos Municípios os melhores Concelhos para a fixação de empresas, para a criação de riqueza e para garantir um desenvolvimento sustentável.

O segredo do talento, não é tanto conseguir detectá-lo e preservá-lo, mas muito mais conseguir não desperdiçá-lo.


in Jornal de Oeiras, 10 mar./2009

Friday, February 27, 2009

O Poder das Pessoas

Entregar o poder ao povo, ainda que esse processo esteja incompleto, corresponde a uma evolução surpreendente no decurso da história humana. Assistimos, incrédulos, como a força do poder das pessoas deitou abaixo o Muro de Berlim, conduziu à liberdade na África do Sul, trouxe de volta a democracia às Filipinas, criou uma onda de democratização a uma escala global, elegeu um presidente afro-americano nos EUA e perpetuou um outro na Venezuela. Muitas das nações da Europa de Leste são agora membros da União Europeia e promovem novas noções de liberdade aos seus cidadãos.

Embora seja intrigante olhar para estas novas democracias e para a sua população, o alargamento da influência dos cidadãos é um desafio continuado, até para as democracias consolidadas. O caso paradigmático das candidaturas independentes nas eleições autárquicas de 2005, em Portugal, é um claro exemplo disso mesmo e acabou por ter seguidores nas presidenciais e nas intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa.

À medida que a onda da democratização alagou o mundo nos anos 90, criou uma euforia temporária sobre o processo democrático. Alguns alegaram que a democracia liberal representava o fim da história e que, eventualmente, todas as nações se tornariam democráticas (Fukuyama, 1992). Cedo, no entanto, novas preocupações emergiram sobre os potenciais problemas políticos que enfrentam as democracias consolidadas. O envolvimento social e cívico encontra-se muito debilitado, o que ameaça a vitalidade do sistema e contribui para o incremento do cepticismo popular sobre os políticos, os partidos e as instituições políticas que são elementos essenciais do processo democrático.

Este, como todas as actividades humanas, é imperfeito – mas a sua força sustenta-se na premissa que as pessoas são os melhores juízes do seu próprio destino. O sucesso da democracia é largamente medido pela participação do público, o respeito pelos direitos cívicos e a responsabilização do sistema em relação às solicitações da população. Como dizia Adlai Stevenson, numa democracia, as pessoas têm o tipo de governo que merecem.


É difícil fazer simples generalizações sobre a opinião pública, porque o povo não é homogéneo e as pessoas também diferem na dimensão do seu interesse político e das experiências que elas próprias trazem para a política.Esta figura não materializada do poder das pessoas, ainda que coarctada de muita da formalidade que até já lhe é conferida constitucionalmente, não deixa de ser, na figura corporizada da participação cívica, uma das formas mais justas e dignas de fazer política.

Como dizia Harry Truman, “a Política – a boa Política – é o serviço público. Não há vida, nem tarefa, na qual um homem consiga encontrar uma tão grande oportunidade de servir a sua comunidade, ou o seu país”.

in Jornal de Oeiras, 24 fev./09

Thursday, January 29, 2009

Singularidades...

Basta uma carta anónima. Bastam algumas frases para, a coberto do anonimato, lançar a lama sobre alguém. Haverá forma mais vil e cobarde? E a Justiça? Investiga uma denúncia anónima para saber se tem algum fundamento. Muito bem.
Passados quatro anos, a justiça precisa de mais tempo, ainda não conseguiu reunir elementos que lhe permitam avaliar se há fundamento na suspeição lançada na carta anónima. Nesse período, a vida do visado pela carta anónima fica em suspenso, enquanto o segredo de justiça vai sendo violado, cirurgicamente, numa agenda muito própria. Pequenos detalhes vão colorindo a suspeição lançada pela carta anónima. Não há factos que comprovem a carta anónima, não há suspeitos, não há arguidos, mas vai-se alimentando a tradicional bisbilhotice, inveja e mediocridade tão típica dos portugueses. Inicia-se um julgamento nos meios da comunicação social.
Aconteça o que acontecer, arquivada ou não, a carta anónima já venceu. Quem a escreveu permanece anónimo e a justiça em Portugal fica ferida de morte.