Bem-vindos a um fórum que se pretende de discussão livre sobre todos os temas que acharem pertinentes, mas que se pretende direccionado para as questões da liderança.

Monday, March 23, 2009

Somos Todos Água




Decepcionante a noticia que nos chega de Istambul, onde mais de 25.000 pessoas se reuniram em torno do V Fórum Mundial da Água, durante uma semana.


O Fórum terminou com um pedido de mais de 100 países a favor da luta por água limpa e saneamento para bilhões de pessoas, mas sem acordo quanto à noção de “direito ao acesso à água”.

Considerando estarmos perante a maior conferência da história sobre a crise da água, isto diz muito, mais uma vez, sobre a falta de coragem e, sobretudo, de sensibilidade das lideranças mundiais. Ainda sofrendo com as agruras das incompreensíveis e arrastadas negociações de Quioto e pós-Quioto, o mundo viu, mais uma vez, aqueles que o deviam encaminhar para a sustentabilidade, antes encaminhá-lo para o abismo.

Quando 1 bilião de pessoas sobre(vivem) com uma escassez quase absoluta em relação a este precioso liquido, não há discurso político, ou crise económica, que justifique uma tão incompreensível decisão.

O documento final estabelece uma série de recomendações, não obrigatórias, incluindo uma cooperação maior para acabar com as disputas sobre a água, medidas para evitar inundações e a escassez de água, uma administração melhor dos recursos e impedir a poluição de rios, lagos e lençóis freáticos. Mas, repito, não obrigatórias…

Alguns países tentaram incluir na declaração o reconhecimento ao acesso à água potável e ao saneamento como um "direito humano básico", ao invés de uma "necessidade humana básica", como está escrito no texto final.

A mudança foi bloqueada por representantes do Brasil, Egipto e Estados Unidos. Como compreender (ou talvez não…) esta atitude tomada pelos dois países onde se encontram os dois maiores rios do mundo (Amazonas, com 7.050.000 quilómetros quadrados de água e Nilo, com 3.400.000) e pelos Estados Unidos, que tanto apregoou uma mudança de rumo e assumiu, nesta nova administração, o Ambiente como uma das missões estratégicas da sua governação.

Felizmente que vinte países dissidentes assinaram uma declaração em separado para manifestar sua posição e muitos países, sobretudo da América Latina, já incluíram o acesso à água como um direito constitucional. Significa que nem tudo pode estar perdido e, se me é permitido, lanço um repto ao governo português para fazer o mesmo.

Localmente, bem andam os Municípios de Oeiras e Amadora que, conjuntamente e suportando-se nos respectivos Serviços Municipalizados, comemoraram, ontem, dia 22 de Março, da forma mais digna de que (para mim, pelo menos) há memória, o Dia Mundial da Água.

Foi uma tarde fantástica, passada no Parque dos Poetas, com inúmeras actividades ligadas às boas práticas na utilização da água, ao seu uso racional e ao apelo do consumo da água da torneira.

Por lá pudemos ver largas centenas de famílias, com especial destaque para os mais novos, que conviveram com o Panda, com o Gui Gotas e a Gotas Maria, mascotes do Clube da Água (marca SMAS para o Programa de Educação Ambiental) e participaram activamente no lançamento do roadshow que irá percorrer as escolas dos dois concelhos até ao dia 22 de Maio. É um espaço didáctico e pedagógico de formação e informação, que cumpre uma função primordial neste organismo público, a sua Responsabilidade Ambiental.

Tudo acabou em grande, com um magnífico concerto da cantora Ana Free, que passa a ser uma verdadeira Embaixadora da Água para os SMAS de Oeiras e Amadora.

Ainda que o V Fórum Mundial da Água não nos tenha trazido boas notícias, lá pensou-se globalmente, pelos vistos mal e cá agiu-se localmente, certamente bem.

in Jornal de Oeiras, 24 mar./09

Tuesday, March 10, 2009

Talento

Todos os dias nos chegam histórias sobre talento.

A última que me chamou a atenção conta a história de Manuel Lima, nomeado uma das 50 personalidades mais influentes e criativas do mundo para 2009, ao lado de talentos como Sergey Brin e Larry Page, co-fundadores do Google, David Fincher, realizador de “Quem quer ser Bilionário”, ou Mark Zuckerberg, criador da rede social Facebook.

Manuel Lima é designer de interacção, deixou São Miguel, nos Açores, aos 18 anos e, actualmente, reside em Londres. Nos últimos três anos, este português dispôs-se a descobrir o que havia de semelhante entre redes tão diferentes como as sociais, as genéticas, as políticas, as empresariais e até as de transportes. Foi assim que criou e desenvolveu o site VisualComplexity.com que, com mais de 600 projectos de redes complexas, da biologia à Internet, se tornou num mapa interactivo de vários mapas desenvolvidos por diferentes indivíduos e instituições do mundo inteiro.


Mais próximo de nós, soube-se na quinta-feira passada que Oeiras foi considerado o melhor Concelho para trabalhar, numa iniciativa levada a cabo pela Great Place to Work Institute Portugal. Não é despiciendo o facto de 12 das 30 melhores empresas para se trabalhar estarem sedeadas em Oeiras, de entre as quais está a vencedora Microsoft. Se existisse um indicador que o medisse, estou certo que a maior concentração de talento também se reuniria aqui no nosso burgo…Instituto Gulbenkian de Ciência, Instituto de Tecnologia Química e Biológica, Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica, Estação Agronómica Nacional, Instituto de Investigação Cientifica Tropical – Centro de Investigação de Ferrugem do Café, Quinta da Fonte, Lagoas Park, Taguspark, Arquiparque, Edimpresa, Netjets, Thales, Portugal Telecom, Millenium BCP, Instituto Superior Técnico, Faculdade de Motricidade Humana, Universidade Atlântica, Escola Náutica Infante D. Henrique, Instituto de Tecnologias Náuticas, etc…

Pena que a Great Place to Work não tenha alargado esta iniciativa ao sector público. Esperar-nos-iam agradáveis surpresas.

Num ambiente organizacional crescentemente globalizado, é cada vez mais difícil ganhar uma vantagem clara no mundo dos negócios, mas não é impossível. O talento, potencialmente a mais poderosa fonte de vantagem competitiva, está ao alcance de todos, assim possa ser detectado e preservado.


O talento fornece-nos o road map que melhor pode conduzir as organizações a caminho do sucesso, mantendo o focus no melhor que a estrutura tem para oferecer, numa óptica de melhoria continua. Para tal, há que ter em especial atenção, a Liderança, a Estrutura Corporativa, a Gestão do Talento, a Gestão da Performance, a Informação e o processo de Tomada de Decisões.


E onde é que encontramos o talento? Nas pessoas, logo, chegou a altura de transformar as pessoas na nossa principal vantagem competitiva.


É o talento que nos faz destacar dos demais, mesmo em ambientes competitivos.

São as pessoas que fazem das suas organizações bons locais para trabalhar.


São pessoas talentosas que fazem dos Municípios os melhores Concelhos para a fixação de empresas, para a criação de riqueza e para garantir um desenvolvimento sustentável.

O segredo do talento, não é tanto conseguir detectá-lo e preservá-lo, mas muito mais conseguir não desperdiçá-lo.


in Jornal de Oeiras, 10 mar./2009

Friday, February 27, 2009

O Poder das Pessoas

Entregar o poder ao povo, ainda que esse processo esteja incompleto, corresponde a uma evolução surpreendente no decurso da história humana. Assistimos, incrédulos, como a força do poder das pessoas deitou abaixo o Muro de Berlim, conduziu à liberdade na África do Sul, trouxe de volta a democracia às Filipinas, criou uma onda de democratização a uma escala global, elegeu um presidente afro-americano nos EUA e perpetuou um outro na Venezuela. Muitas das nações da Europa de Leste são agora membros da União Europeia e promovem novas noções de liberdade aos seus cidadãos.

Embora seja intrigante olhar para estas novas democracias e para a sua população, o alargamento da influência dos cidadãos é um desafio continuado, até para as democracias consolidadas. O caso paradigmático das candidaturas independentes nas eleições autárquicas de 2005, em Portugal, é um claro exemplo disso mesmo e acabou por ter seguidores nas presidenciais e nas intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa.

À medida que a onda da democratização alagou o mundo nos anos 90, criou uma euforia temporária sobre o processo democrático. Alguns alegaram que a democracia liberal representava o fim da história e que, eventualmente, todas as nações se tornariam democráticas (Fukuyama, 1992). Cedo, no entanto, novas preocupações emergiram sobre os potenciais problemas políticos que enfrentam as democracias consolidadas. O envolvimento social e cívico encontra-se muito debilitado, o que ameaça a vitalidade do sistema e contribui para o incremento do cepticismo popular sobre os políticos, os partidos e as instituições políticas que são elementos essenciais do processo democrático.

Este, como todas as actividades humanas, é imperfeito – mas a sua força sustenta-se na premissa que as pessoas são os melhores juízes do seu próprio destino. O sucesso da democracia é largamente medido pela participação do público, o respeito pelos direitos cívicos e a responsabilização do sistema em relação às solicitações da população. Como dizia Adlai Stevenson, numa democracia, as pessoas têm o tipo de governo que merecem.


É difícil fazer simples generalizações sobre a opinião pública, porque o povo não é homogéneo e as pessoas também diferem na dimensão do seu interesse político e das experiências que elas próprias trazem para a política.Esta figura não materializada do poder das pessoas, ainda que coarctada de muita da formalidade que até já lhe é conferida constitucionalmente, não deixa de ser, na figura corporizada da participação cívica, uma das formas mais justas e dignas de fazer política.

Como dizia Harry Truman, “a Política – a boa Política – é o serviço público. Não há vida, nem tarefa, na qual um homem consiga encontrar uma tão grande oportunidade de servir a sua comunidade, ou o seu país”.

in Jornal de Oeiras, 24 fev./09

Thursday, January 29, 2009

Singularidades...

Basta uma carta anónima. Bastam algumas frases para, a coberto do anonimato, lançar a lama sobre alguém. Haverá forma mais vil e cobarde? E a Justiça? Investiga uma denúncia anónima para saber se tem algum fundamento. Muito bem.
Passados quatro anos, a justiça precisa de mais tempo, ainda não conseguiu reunir elementos que lhe permitam avaliar se há fundamento na suspeição lançada na carta anónima. Nesse período, a vida do visado pela carta anónima fica em suspenso, enquanto o segredo de justiça vai sendo violado, cirurgicamente, numa agenda muito própria. Pequenos detalhes vão colorindo a suspeição lançada pela carta anónima. Não há factos que comprovem a carta anónima, não há suspeitos, não há arguidos, mas vai-se alimentando a tradicional bisbilhotice, inveja e mediocridade tão típica dos portugueses. Inicia-se um julgamento nos meios da comunicação social.
Aconteça o que acontecer, arquivada ou não, a carta anónima já venceu. Quem a escreveu permanece anónimo e a justiça em Portugal fica ferida de morte.

Thursday, November 13, 2008

Sinais dos tempos......

Personagens do passado como ex-candidato presidencial Manuel Alegre parecem ter perdido o Norte...
Dedicaram, nas suas palavras, uma vida ao combate pela Liberdade e agora em plena vivência democrática contestam, invariavelmente, a magnitude do voto quando este lhes é desfavorável.
Podemos e devemos contestar as políticas de qualquer Governo quando estas não nos parecem as mais adequadas para Portugal, mas devemos respeitar, igualmente, o mandato conferido por uma larga maioria dos portugueses. Adjectivar esta ou aquela medida do Governo de mais ou menos democrática corre o risco de desacreditar quem faz este tipo de críticas, afinal já vivemos em Democracia há mais de 3 décadas. Este Governo será "avaliado" pelos portugueses em 2009.
Os portugueses têm dado provas de grande maturidade democrática e saberão dar o sinal adequado.
Notas: Não somos todos avaliados, porque deveria ser diferente para alguns?

Sunday, September 21, 2008

"Afectos"

Não há nada a fazer. Somos homens de afectos. Efectuada esta declaração de interesses, não podia deixar de fazer uma menção ao grupo de música portuguesa Deolinda que anda a encantar meio mundo.
Primeiro, pela sua qualidade artística e depois pela linda Ana Bacalhau que depois de encantar nos SMAS canta para Portugal inteiro.
Deixo-vos uma pequena amostra da Ana Bacalhau e dos Deolinda.
www.deolinda.com.pt
http://www.youtube.com/watch?v=jq1j-Dq11WQ

Thursday, August 28, 2008

Eleições a sério!

Quando no próximo dia 4 de Novembro, o povo norte-americano escolher o sucessor de George W. Bush, eu voltarei a ler este artigo e espero – para bem da minha sanidade intelectual – não fazer delete!

O Obama Show não me convence e eu penso que não estará a convencer muitas outras pessoas, sobretudo aquelas que Obama precisa de convencer e eu não sou uma delas, pois voto em Portugal e terei a minha dose de eleições no próximo ano…três (!) que, infelizmente, não fazem uma (esta)!

Começa por não conseguir convencer metade das 18 milhões de pessoas que votaram em Hillary Clinton, continuando para os 10% de eleitores que acham que ele é muçulmano e outros 10% que nunca votarão num negro. Se considerarmos que os 9 milhões de Democratas ainda dispersos farão o seu “dever”, Obama ainda necessita, no mínimo, de dividir o eleitorado com McCain, pois não se pode esquecer dos 20% que não votarão nele. Pode sempre, atendendo às razões “americanadas” que os levam a pensar assim, e com alguma propriedade, ponderar que desses 20%, uma considerável percentagem não se deslocará às urnas pelas mais variadas situações, desde o “armageddon” à insanidade, passando pela mais “saudável” ebriedade juvenil ou “vintage”; a que se podem acrescer aqueles que, indo às urnas, votarão no Rato Mickey ou no Homem-Aranha!

Este é, do meu ponto de vista, o grande (único!) e verdadeiro desafio de Obama. E é simples, pois se ele aglutinar o eleitorado ainda dividido em “sua casa” e dividir o restante eleitorado com McCain, pode ter francas possibilidades de ser o 44º Presidente dos Estados Unidos da América.

De todo o modo e ao contrário do que a maior parte dos opinion makers e dos trouble makers vaticinavam, não é isso que dizem as mais recentes sondagens. Segundo a pesquisa Reuters/Zogby (20 de Agosto), McCain acumula 46% dos votos contra 41% de Obama, o que contraria os sete pontos percentuais que o senador de Illinois tinha a seu favor desde Junho. Já o credenciado Los Angeles Times (19 de Agosto), publicava uma sondagem onde a diferença entre os dois candidatos – ainda que favorável a Obama – se cifrava nos 2% (45% x 43%), dentro de uma margem de erro de 2% e considerando que, em Junho, a sondagem realizada pelo mesmo instituto dava uma vantagem de 12 pontos a Obama. Convém, no entanto, destacar alguns dos dados obtidos, vejamos:
- Se mais de sete em cada 10 eleitores afirmam que os Estados Unidos estão prontos para eleger um Presidente negro, existem 17% a afirmar que o país não está preparado para o fazer, o que justifica que os eleitores brancos escolhem maioritariamente McCain, com um resultado de 47% contra 36%.
- 80% consideram que McCain tem as qualidades necessárias para ser Presidente, contra 48% que consideram que Barack Obama não tem experiência para o ser.
- 84% avaliam McCain como muito patriota enquanto que apenas 55% têm essa opinião relativamente a Obama.

Entretanto, parecendo querer animar as hostes e pôr à prova o valor dos candidatos na área onde mais se tem movimentado – bem ou mal, não é tema para este artigo – o actual Presidente (sim, os EUA ainda têm Presidente!), eis que surge o “caso” Ossétia do Sul…Abkházia...Geórgia…Rússia!
E, aqui, voltamos a ter um Obama um pouco titubeante. Enquanto McCain tem mantido um discurso ao longo dos anos mais duro que o do Presidente George W. Bush, tendo chegado a apelar à expulsão da Rússia das reuniões do Grupo G8 e a dizer que olhou nos olhos de Putin – e ao contrário de Bush que lhe viu a alma – e viu três letras: um K, um G e um B; Obama disse que era importante que todas as partes mostrassem contenção e terminassem o conflito armado.

Um analista político do American Enterprise Institute defende que McCain dirá que sabe do que está a falar e que é suficientemente “duro” para lidar com esta situação e com qualquer outra na área da política externa; já Obama dirá que sabe do que está a falar e que é suficientemente “flexível” para não lidar com esta situação e com qualquer outra na área da política externa, da mesma forma que McCain o fará.

Entrar em oposição com McCain nestas matérias, não me parece ser o mais avisado e como reconheço em Obama um nível superior de inteligência, julgo que está na altura de deixar “brilhar” o seu recém-nomeado candidato a vice-presidente, Joe Biden, por sinal, uma escolha, também ela, muito inteligente.

Não por acaso, vimos surgir um Obama mais decidido na condenação dura feita ao reconhecimento russo da independência das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia, aliás, desta vez, Obama tomou a dianteira e pronunciou-se antes de McCain que, no inicio deste “caso” e quase em primeira mão, fez duras críticas à posição do Kremlin e aproveitou para atacar a inexperiência de Obama em assuntos internacionais.

Em jeito de balanço deste “caso”, gostaria, ainda, de destacar, as palavras de Clive Crook, Colunista do “Financial Times”, que criticou Obama e McCain por terem olhado para a Geórgia de um prisma eleitoralista, ao invés de concertarem posições sobre o assunto.

Por fim, não gostaria de terminar sem expor o que, na minha opinião, é o facto que vai, verdadeiramente, condicionar esta eleição. E esse facto é o de os Clinton preferirem McCain a Obama!

Passo a explicar:
Caso ganhe as eleições, John McCain, com 72 anos a celebrar amanhã, não fará mais que um mandato. Aliás, atentem à escolha do seu candidato a vice-presidente e verão se não estaremos perante uma nova geração de republicano(s) pronto a assumir a candidatura à presidência daqui a 4 anos. A “dinastia” Bush acabou, os neo-conservadores vêem o seu sucesso a esfumar-se e a sua esperança não é, certamente, John McCain. Aliás, McCain, se bem se lembram, chegou a ser dado como derrotado nas primárias do seu partido, como chegou a ser dado como derrotado nas gerais para o país. E isso não foi, nem é por acaso. Qualquer candidato republicano, há um ano a esta parte, era “carne para canhão”, era para perder. Só que a vaga de fundo Democrata gerou um candidato cheio de anti-corpos e, de repente, os Republicanos podem ganhar outra vez. Mas não se podem perpetuar. E se os Republicanos apostam num vice-presidente, os Democratas (mais concretamente os Clinton) apostam numa ex-futura Presidente…Hillary Clinton!

Obama, com os seus 47 anos completados no inicio deste mês, fará, se ganhar, os dois mandatos “da ordem”. E se Hillary daqui a 4 anos terá 66 anos (em Outubro completará 62 anos de idade), daqui a oito anos já terá 70 anos e, ainda que alegue candidatar-se com uma idade inferior à actual de McCain, não pode deixar de esperar uma derrota face ao natural desgaste Democrata e à nova vaga Republicana.

O mandato que se avizinha não será fácil, independentemente do vencedor. Mas mais desgastante e difícil será para um homem com o perfil de McCain. Estou certo que não guardará forças (nem as medirá durante, pois tem-se revelado, de facto, um politico de grande “estofo”) depois de lidar com a Rússia no prolongamento do “caso” em vigor; de gerir a retirada das tropas do Iraque; de manter o status quo no Afeganistão e no Paquistão; de suster o embate económico da inevitável China, mas, também, da Índia, do Japão, da África do Sul, do Brasil e até de alguns mais bem comportados países árabes; de enfrentar o desafio energético e as alterações climáticas; e de se afundar nos inúmeros problemas domésticos, dos quais não posso deixar de destacar a continuada crise no sector de crédito sub prime.

Este é o clima mais favorável para os Clinton. Porque se a “dinastia” Bush acabou (paz à sua alma!), a “dinastia” Clinton, na pose majestática dos seus protagonistas, está aí “para as curvas”.Se, como disse acima, o grande (único!) e verdadeiro desafio de Obama é aglutinar o eleitorado ainda dividido em “sua casa” e se desses 18 milhões, metade ainda é “fiel” a Hillary, não antevejo grandes esforços conjugados. Faz lembrar “aquele” discurso, “eu apoio publicamente, pois não posso deixar de o fazer, tenho responsabilidades, agora…vocês é que sabem!”